Saúde

Receitas caseiras aprovadas pela ciência

As receitas de família contra dores, gripe e insônia estão em alta. A ciência investiga plantas e raízes para tirar delas os melhores benefícios para sua saúde.

Por mais que as prateleiras da farmácia estejam forradas de medicamentos ultramodernos, os chás e as fórmulas caseiras resistem bravamente e até ganham status. Em cada 100 famílias no mundo, cerca de 80 recorrem às plantas medicinais in natura ou processadas para amenizar e aplacar sintomas, segundo registros da Organização Mundial da Saúde. O foco sobre os recursos naturais só cresce: no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) já adota a fitoterapia, prática terapêutica que se baseia em ervas transformadas pela indústria. Cerca de 500 fitoterápicos estão autorizados para o consumo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Além disso, o Ministério da Saúde – em parceria com serviços estaduais e municipais de saúde e institutos de pesquisa – levantou 71 espécies vegetais utilizadas pela população. Elas serão analisadas por cientistas que vão propor novas fórmulas medicinais. Os estudos devem apontar ainda os efeitos tóxicos, pois nem tudo é saudável; a natureza também cria venenos. Selecionamos aqui alguns cuidados tradicionais para quadros leves que começam a ser validados por trabalhos acadêmicos. Todos eles devem ser administrados com bom senso – e, se o mal-estar persistir ou se agravar, é preciso procurar um médico para avaliar as causas e indicar outro tratamento.

Cólica menstrual

A bolsa de água quente continua sendo uma ótima aliada contra as dores abdominais: o calor relaxa a musculatura. Antes de aplicá-la, o reumatologista e clínico geral Aderson Moreira da Rocha, que preside a Associação Brasileira de Ayurveda, recomenda um chá forte de capim-limão. No Projeto Farmácias Vivas da Universidade Federal do Ceará, a planta, também conhecida como capim-santo, é empregada com sucesso no alívio das cólicas menstruais. “Ela é um leve analgésico e ainda reduz a contração do útero”, explica o médico. Ponha uma xícara (café) de folhas frescas ou secas picadas em uma xícara (chá) de água fervente. Abafe por cerca de dez minutos e tome. Depois, deite-se e mantenha a bolsa por 20 minutos sobre a região pélvica, numa temperatura que não irrite a pele.

Gripe forte

O alho, reconhecido há séculos como poderoso anti-inflamatório, pode ter suas virtudes potencializadas pelo gengibre fresco, pela canela e pelo mel, ensina Aderson Moreira da Rocha. Os efeitos analgésicos e anti-inflamatórios do gengibre foram demonstrados por uma equipe do Tzu Hui Institute of Technology, em Taiwan, na China. A canela é famosa como bactericida, assim como o mel. O valor terapêutico do nobre produto das abelhas foi reconhecido por um estudo do Centro Médico Acadêmico de Amsterdã, na Holanda. “Juntos, eles formam um antigripal poderosíssimo”, explica o reumatologista. A receita é para lá de simples: junte uma xícara de água, um dente de alho bem amassado, um pedaço de gengibre do tamanho de um dedo polegar, sem casca, cortado em rodelas, e um pedaço de casca de canela também do tamanho de um polegar. Ferva tudo por cinco minutos e coe. Ao servir, adicione uma colher (sobremesa) de mel de eucalipto – ele não deve ser aquecido, sob pena de perder seus poderes. A bebida, além de excelente remédio natural, é muito saborosa.

Febre

Banho morno ajuda a derrubar a temperatura, constatou um estudo do Instituto Materno-Infantil Professor Fernando Figueira, no Recife, que acompanhou 120 crianças com a idade média de 3 anos. Mas em adultos é melhor fazer compressas nas axilas, no tronco e também no abdome com uma mistura de uma parte de álcool para dez partes de água, orienta o clínico-geral, geriatra e gerontólogo André Jaime, presidente do Departamento de Clínica Médica da Associação Paulista de Medicina. “O álcool evapora rapidamente e absorve calor, ajudando a baixar a temperatura”, diz. A medida pode ser adotada com tranquilidade em febres abaixo de 38 ºC ou nas mais altas até o antitérmico surtir efeito. Como a febre é uma reação do corpo a uma agressão, na maioria das vezes não basta combatê-la, é preciso tratar a causa. Então, se voltar a se sentir quente, avise ao médico.

Insônia

Aquele leitinho* morno que as avós nos davam antes de dormir na infância fica ainda melhor quando associado à noz-moscada. “Esse condimento é um sedativo leve; ajuda a conciliar o sono”, afirma Aderson Moreira. Ele ensina o modo de fazer: coloque uma colher (café) rasa de noz-moscada em pó em uma xícara de leite morno, misture e tome meia hora antes de deitar. Mas o consumo deve ser logo em seguida ao preparo. Outra receita que Aderson sugere resgatar: aromatizar o quarto com óleo essencial de lavanda uma hora antes de ir para a cama. Dilua três ou quatro gotas em água, ponha num aromatizador e deixe por alguns minutos. “É ótimo para aliviar a ansiedade e levar a um sono tranquilo”, garante o médico.

Substitua o leite de vaca pelo de sementes germinadas (temos a receita aqui no Cura da Natureza)

Garganta inflamada

O gargarejo com água morna e sal continua bem cotado, já que é um bom antisséptico e remove secreções. A temperatura da água também ajuda a relaxar a área, mas, para não errar na salmoura, André Jaime prefere recomendar soro fisiológico em temperatura ambiente. “Ele já apresenta uma concentração de sal que não irrita a mucosa da faringe”, explica.

Azia

Aposte no chá de uma das mais antigas plantas medicinais: a hortelã. Bastante estudada atualmente, ela tem efeito anestésico leve, relaxa a musculatura intestinal, torna mais fluida a secreção de bile, combate problemas da vesícula biliar, facilita a digestão e ainda interrompe crises de vômito, lista o clínico-geral e estudioso de medicina chinesa Alex Botsaris no livro Fórmulas Mágicas (Nova Era). Faça uma infusão: coloque de três a seis gramas de folhas em água fervente, abafe de cinco a dez minutos e beba ainda morno.

Contusão

Gelo é imbatível nas primeiras 48 horas após o trauma. “A temperatura baixa estimula a contração dos vasos sanguíneos, o que reduz a quantidade de sangue no local e possíveis inchaços”, diz André Jaime. Use bolsa térmica ou pedras de gelo envoltas em uma toalha para evitar que elas queimem a pele. Também ajuda passar arnica, em especial se houver hematomas (marcas roxas). Sua eficiência foi confirmada por uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná. Ela acelera a cicatrização. Se não tiver a pomada da erva, encontrada em muitas farmácias, faça compressa: coloque 30 gramas de folha de arnica picada em meio litro de água fervente. Abafe, espere esfriar e aplique-a, morna, de três a quatro vezes por dia no local da contusão.

Diarreia

Além de uma dieta pobre em fibras (nenhum vegetal cru, legumes só batidos e peneirados, purê de batata sem leite, arroz branco empapado, carne magra moída e frango desfiado), o tratamento caseiro pode incluir água de coco ou soro de farmácia para reidratar. Outra indicação de Aderson Moreira é o chá com broto de goiaba, encontrado em lojas de produtos naturais. Corte seis brotinhos – que aparecem antes de nascer a flor – em pedaços pequenos, coloque em uma xícara de água fervente, abafe e coe. Tome meia xícara em intervalos curtos enquanto persistir a diarreia.

Dores

Provocadas por processos degenerativos e inflamatórios das articulações (o popular reumatismo), as dores podem ser aliviadas por meio de calor. Os reumatologistas orientam, antes de aquecer, massagear o local com esta mistura caseira: duas gotas de óleo essencial de cravo, duas gotas de óleo essencial de canela, duas gotas de cânfora e meia xícara de óleo de gergelim. O primeiro é conhecido pelo poder anestésico, tanto que ameniza temporariamente a dor de dente. A canela também exibe propriedades analgésicas, e os efeitos anti-inflamatórios da cânfora foram recentemente atestados em um estudo de laboratório conduzido no Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina da Cheju National University, na Coreia do Sul. Aí, sim, aplique calor seco (compressa com pano aquecido no ferro de passar) ou úmido (bolsa de água quente) por cerca de 20 minutos.

Irritações na pele

Nas crianças pequenas, a área da fralda descartável pode ficar sujeita a inflamações e assaduras, em especial quando o tempo esquenta. O desconforto é enorme. A dermatologista Márcia Pontes, do Rio de Janeiro, aconselha, em primeiro lugar, a mudar a marca do produto, aumentar o número de trocas ou deixar o pequeno sem fralda por algumas horas: “Limpe o local com algodão embebido em óleo mineral, para remover os resíduos de fezes, água morna e sabão de glicerina. Depois, faça compressas com água boricada a 2%, de cinco a dez minutos, duas vezes ao dia.”

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