Saúde

Talco para bebê causa câncer? Para júri dos EUA sim e conhecida marca terá de pagar indenização bilionária

Talco para bebê da Johnson & Johnson causa câncer.

Isso é o que entende uma corte no Missouri, Estados Unidos, que por isso condenou a multinacional a pagar uma indenização equivalente a cerca de 18,3 bilhões de reais a 22 mulheres.

Essas mulheres alegam ter desenvolvido câncer de ovário ao usar talcos produzidos pela Johnson & Johnson.

A poderosa empresa farmacêutica nega veementemente as acusações.

Ela assegura que seus produtos não causam câncer ou contêm substâncias cancerígenas.

Porém, a Johnson & Johnson enfrenta cerca de 9 mil processos judiciais envolvendo o talco que fabrica para bebês.

Foram seis semanas de julgamento.

Uma batalha jurídica com 22 mulheres afirmando que desenvolveram câncer de ovário depois de usar o talco para bebês e outros produtos em pó da empresa.

O pior é que, das 22 mulheres que foram à Justiça em busca de indenização, seis morreram antes da conclusão.

E adivinha de quê?

De câncer no ovário.

Os advogados das mulheres alegam que a Johnson & Johnson sabia que o talco estava contaminado com amianto desde os anos 1970, mas escondeu o fato dos consumidores.

O amianto é comprovadamente um carcinogênico.

Segundo o New York Times, já houve outras derrotas da multinacional por causa do uso dessa substância em seus talcos.

Em 2013, um júri do Tribunal Distrital Federal em Dakota do Sul considerou a Johnson & Johnson negligente, mas não concedeu indenização aos acusadores.

Mas outros embates na Justiça terminaram em indenizações milionárias, incluindo um veredicto de US$ 417 milhões dado pelos jurados do Tribunal Superior do Condado de Los Angeles no ano passado.

QUANDO TUDO COMEÇOU

Estudos divulgados nos anos 1980 comprovaram a forte conexão entre o talco e o câncer de ovário.

Eles mostraram que as mulheres que usam esse produto tinham 300 vezes mais chances de desenvolver câncer de ovário.

Houve grande repercussão na mídia americana.

Mas a Johnson & Johnson negou todas as evidências das pesquisas.

A empresa se baseia, entre outras coisas, em um laudo da entidade britânica Cancer Research, que afirma não existirem provas científicas da ligação entre o uso do talco e o câncer do ovário.

“Mesmo que exista um risco, é provavelmente pequeno”, salientou um responsável da associação britânica.

O mercado de talcos fatura, só nos Estados Unidos, mais de 18 milhões de dólares por ano.

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